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Quinta-feira, 26 de Abril de 2012

Intervenção na Assembleia Municipal de Almeida do camarada Domingos Lopes Cerqueira, no dia 25 de Abril de 2012

 

 

PARTIDO SOCIALISTA

 

25 DE ABRIL / 2012

 

             Com o sentimento que me vai na alma e por paradoxal que pareça, não me é fácil passados trinta e oito anos sobre a Revolução dos Cravos, falar em nome da minha bancada nesta Cerimónia.

Creiam que estive indeciso em fazê-lo e só o respeito pela democracia e por todos quantos a exercemos neste órgão, me impeliu a avançar.

Poderá perguntar-se se isto seria assim tão difícil, para alguém com a sensibilidade politica que me é conhecida e com a possibilidade de em momento tão propicio, poder vergastar o poder que nos governa, tanto a nível central como local. É evidente que não.

Mas o facto de assim ser e sem contrariar o posicionamento do que deve ser uma bancada da oposição, que no nosso grupo dá plena liberdade aos seus membros, como tantas vezes já foi demonstrado neste órgão, seria estranho que no doloroso momento que vivemos, nos mantivéssemos calados. Tal não faz parte do nosso ADN e se mais não fora, há hoje soberbas razões para o fazer.

A saber: quando o anterior governo solicitou autorização para cometer <o quarto pecado>, vulgo PEC4, vindos dum qualquer canto da estratosfera, caiu-lhe em cima o Carmo e a Trindade, símbolos santificados, aos quais se juntou o beneplácito de Belém, nome mais mítico que os dois anteriores, local antigo de cujas redondezas se partiu para jornadas de glória, mas repentinamente transformado em contrapoder do executivo democraticamente eleito pelo povo, mas traído pela santa aliança, na qual se agruparam as esquerdas da esquerda e a direita do mais retrógrado conservadorismo, do que derivou uma salada de frutas difícil de tragar, quase se esquecendo uns e outros, que em tempos tinha havido em Portugal um 25 de Abril.

 Da esquerda, cujo discurso para não variar é sempre mais do mesmo, o resultado nas urnas é consentâneo às ideias que defende. Na remota hipótese de um dia ser poder, a esquerda da esquerda teria vida efémera e nem um 25 de Abril lhe valeria, gorada que foi a experiencia socializante da ex-União Soviética, a cuja overdose repressiva, registiram os mais variados Gulagues.

Já no que respeita à direita, diz-nos a experiencia que esta executa a sinfonia com outros acordes, como bem se verifica com o actual governo, que avançou para a campanhaem andamento ADÁCIO, no dia logo a seguir às eleições passou por cima do MODERATO, para estar neste momentoem VIVACE ALLEGRO, bramindo a batuta diametralmente em oposição ao que prometeu ao povo, do qual fazem parte ainda felizmente, muitos cidadãos que viveram o primeiro 25 de Abril, cujos ideais respeitam, por acreditarem mais hoje que ontem, ter valido a pena este Movimento dos Capitães e do que ele teve de mais sublime.

Curiosidade das curiosidades e como um azar nunca vem só, desta vez tocou-nos em sorte à frente do governo um director artístico, que por acaso até tem jeito para a cantoria, mas cujo reportório só agrada a uma pequena franja da sociedade, aos poderosos como não podia deixar de ser, porque o povo, esse, não está a gostar do corridinho, o qual aplicado em roda livre como se está a verificar, é compasso que não pode ser dançado por quem já tem os bolsos vazios, nalguns casos já sem forro.

Convidando um apaniguado de Milton Friedman para dirigir esta orquestra, o maestro Gaspar como é conhecido, entregou a cada um dos seus elementos não um instrumento musical, mas a todos uma tesoura, limitando-se a ensinar-lhes uma única nota, que espero fique registada para os anais da nossa historia, como a nota da orquestra corta, corta.

Quando alguma tesoura se amolga, o problema é imediatamente resolvido, basta ir lá em baixo à beira rio, onde num casarão mora um amolador, sempre diligente para dar uma afiadela, para que a orquestra não vacile e continue a tonalidade sonora que lhe é exigiu.

Deste conjunto de executantes, vão sobressaindo alguns figurões, quiçá invejosos do protagonismo do chefe e não lhe querendo ficar atrás vão zurzindo sem rei nem roque por onde lhes dá a gana, insensíveis às milenares razões do povo.

 A aplicação das medidas austeras que estão a ser impostas, nalguns casos objectivadas num tom de arrogância despropositado, em paralelo com a subversão dos ideais de Abril, por parte dos intervenientes desta peça musical, não tem o menor cabimento.

Não é mais suportável, ouvir um primeiro-ministro na Noruega dizer em inglês, que os Portugueses estão a suportar os sacrifícios que lhe são pedidos, de forma brilhante, que emigrar é a saída airosa par a vida dos jovens, que temos de cumprir custe o que custar.

Que um paranóico da extinção das freguesias não seja sensível ao sentimento demonstrado pelas populações e seus autarcas, teimosamente aplique uma lei, que mais tarde será propiciadora de desavenças entre as freguesias. Que não tenha em consideração o que viu no Congresso da Anafre em Portimão, no Salão de Congressos em Lisboa e na imemorável Manifestação do dia 31 de Março, na que foi considerada a maior manifestação depois do 1º de Maio de 1974, lá se apresentaram duzentas mil pessoas, provando de forma clara que não querem esta Reforma. E perante tudo isto, o que faz este teimoso? Não será esta personagem um caso de estudo clínico?

Como é que se pode tolerar a intransigência dum Ministro da Economia, que não aceita a evidencia da trapalhada que está instalada com a colocação das portagens nas ex-SCUT, a um preço exorbitante, que adocicou com um isco de isenção os residentes e cuja insensibilidade tanto nos está a prejudicar. Como se pode suportar por mais tempo, ouvir cada vez que o assunto lhe é colocado e ao qual só responde pela rama, não se coibindo contudo de aproveitar a ocasião para dar mais um passo em frente, numa desmedida afronta a quem como nós reside em regiões desprotegidas, onde os vários governos, todos sem excepção, nos votaram ao olvido e total esquecimento. Como se pode tolerar isto?

Como se pode assistir impávido e sereno ao que se passa na Justiça, cujo titular já entrou em confronto com meio mundo, justiça que é tão lesta a condenar os pequenos e aviltantemente permissiva aos truques e manigâncias dos poderosos, das ratazanas do regime, a quem de recurso em recurso até à exaustão dos processos, tudo lhes ser permitido para não serem condenados. A esta justiça que possibilita o FARTAR VILANAGEM, eu deixo aqui a pergunta: Justiça, para onde emigraste?

E que dizer dessa esfíngica figura que tutela o Ministério da Segurança Social, o tal que no dia da tomada de posse se apresentou de lambreta, para dias depois adquirir uma viatura de alta cilindrada, passado que foi o Show Off das duas rodas?

Esse mesmo, que anda por aí à solta vendendo a sopa dos pobres, esquecendo-se do que tantas vezes disse no parlamento enquanto deputado, querendo agora plafonar, que o mesmo é dizer, abrir o caminho para a privatização deste organismo.

E do seu chefe ideológico, que engendrou um novo entretenimento a que chama “diplomacia económica”, que lhe permite como rato previdente que é, estar à coca no barco, enquanto despacha o que nos resta do recheio do templo.

Onde se encaixam afinal todos estes senhores e tantos outros que rodeiam a côrte, passados trinta e oito anos dessa madrugada de sonho que foi o 25 de Abril.

Senhor Presidente: Em nome do meu grupo político com assento neste órgão, não tenho pejo algum em reconhecer que o mal já vem de trás, de longe, muito longe. Tão longe, ao qual não se pode esquivar o inquilino que hoje habita o Palácio de Belém, o tal que diz não ser politico, que quando o desemprego atingiu a barreira dos catorze por cento ficou surpreendido, que se lamenta da “miserável” reforma com que vai viver o resto dos seus dias, que se insurgiu contra o Estatuto da Região Autónoma dos Açores, mas nunca levantou um dedo para o regabofe da Madeira, enfim, a quem com a formação académica que tem, Portugal e os portugueses, teriam agradecido outro desempenho. Este é sem a mais leve sombra de dúvidas, um dos maiores responsáveis pelo descalabro a que chegámos, dadas as condições impares que lhe foram proporcionadas e como se o passado não lhe servisse de exemplo, permite e continua conivente com esta politica de fuga p´ra frente, que não é mais, do que a decapitação das condições de vida dos seus cidadãos.

É pois assim que temos vivido nos últimos tempos, numa deliberada catarse de amedrontamento, com a única intenção de adormecer a população, fazendo passar a ideia que o 25 de Abril não tem cabimento.

Mas tem. E tem porque ainda existe uma larga franja de portugueses que não se esquece do passado, ao mesmo não quer, não permitirá que se volte, ninguém está disposto a viver outra vez quarenta e oito anos de obscurantismo, com o peso da bota a esmagar-nos o pensamento. Que se limpem este ultraconservadores do capital, que não estamos dispostos a isto.

 

VIVA PORTUGAL

VIVA O 25 DE ABRIL

publicado por psalmeida às 12:04

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